Eu achei que precisava encontrar um nicho e descobri que precisava encontrar uma mensagem.
Quando iniciei esta jornada no mundo dos blogs, tudo era sobre espaços pessoais. Aos poucos, foram se tornando o que conhecemos hoje — blogs que se tornaram verdadeiros negócios, como já falei aqui. Além disso, em um certo ponto, a internet se transformou em pequenos espaços com assuntos próprios, nichos e formas estratégicas de aparecer nas buscas. Mas tudo na vida tende a ter um movimento. E todo movimento muda naturalmente. Hoje em dia, quando alguém busca por um site de tecnologia, não quer saber da vida da Virgínia Fonseca na primeira página, entende? Foi aí que fiquei paralisada por tempo demais.
Não entendi esse mecanismo da forma mais simples. E ainda descobri que precisaria me tornar uma especialista de um dia para o outro. Um caminho superficial demais — e impossível, por razões óbvias.
E neste clima de ser o mais realista possível, assumi o papel de quem gosta de escrever sobre dúvidas e questionamentos — e não, necessariamente, sobre verdades absolutas.
Foi então que entendi que não havia necessidade de descobrir sobre o que falar. Precisava, de fato, era de uma mensagem. Algo que atravessasse todos os assuntos abordados no blog. E tudo fez sentido. Percebi que, em todos os projetos digitais que criei, desenvolvi, abandonei e retomei ao longo desses vinte anos, havia um padrão.
Quase tudo que escrevo nasce de uma expectativa: saber mais sobre uma ferramenta que estou testando, algum erro cometido, uma ideia que parecia incrível no papel e não se tornou muita coisa, um projeto bem-sucedido, outro fracasso disfarçado de sucesso. No fundo, nunca foi minha intenção ensinar. Mas adoro documentar.
Essa é a verdadeira identidade do tucacheias. Um espaço que surgiu para registrar tentativas — onde aprendi no caminho, tirei conclusões e vivi muitas experiências. Essa percepção inevitavelmente mudou minha relação com o blog.
Antes, eu via nele um conjunto de artigos isolados. Atualmente, trato tudo como arquivos vivos. Um tema conectado ao outro, descobertas conversando com outras descobertas — e por aí vai. A mudança da internet me fez repensar muito sobre novos formatos.
Por mais que existam milhares de formatos diferentes hoje, ainda acredito na autenticidade de uma voz. Um projeto precisa ter voz. Independente da ideia, do motivo ou da intenção, essa voz — além de própria — mantém toda a identidade do projeto.
Quando criei o projeto, a ideia inicial era sobre resenhas de produtos para cachos (daí vem o nome tu cacheias). Aqui eu testava na vida real e compartilhava minha opinião sobre os resultados para quem quisesse pesquisar na internet. Registrava tudo com carinho e publicava com frequência. Mas, como já disse lá no começo dessa conversa, tudo muda naturalmente — e com a minha forma de escrever não é diferente.
Hoje não sei quais rumos o tu cacheias vai tomar. Mas posso me fazer uma pergunta a cada texto que passar por aqui: “o que de fato pode entrar para os registros desta nova fase?” E talvez seja a pergunta mais interessante que eu precise agora.
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