Venho da época de blogs pessoais que se tornaram negócios. A Quem Disse, Berenice? é um exemplo disso. Muitos nem sabem que ela, um dia, foi apenas um espaço na internet onde se davam opiniões sobre produtos de beleza.
E foi aí que eu me vi, me projetei sem o menor pudor. Achando que teria um veículo de comunicação insano, que alguém de alma iluminada cruzaria com a minha história e que faríamos história nos negócios juntos.
Ledo engano, meus caros gafanhotos.
Ledo engano…
A internet, como a vida, tem suas nuances, suas regras intrínsecas que ninguém informa, ninguém decifra.
Comecei ali, achando que falaria do meu dia a dia e que, um dia: BOOM! Meu blog viraria um livro, eu seria chamada para entrevistas, teria eventos badalados aos finais de semana para participar.
A projeção foi tão bem-feita que, em momento algum, havia um bastidor para chamar toda essa simulação de volta à Terra.
Foi aí que me veio o choque de realidade. Realidade essa que se altera conforme a rotina de cada um.
O blogueiro do começo da década passada, que nem imaginava virar uma empresa, também não pensou em ser inspiração para muitos que queriam o mesmo trajeto.
Assim como é muito mais fácil querer os resultados de quem já passou por determinada situação — um atalho muito visto hoje em dia, inclusive.
Basta ver os resultados de alguns que tiveram ideias mirabolantes e inusitadas em meio a um período favorável. Muitos acreditam poder seguir o mesmo caminho, obtendo os mesmos resultados ou até melhores.
Mas existe algo que ninguém fala nesse sistema todo: cada ser humano tem a sua própria jornada para seguir.
E não é porque alguém ficou famoso, conhecido ou até mesmo consagrado que todos nós, reles mortais, que damos nosso tempo e atenção para tudo isso, teremos o mesmo destino.
Então, ao invés de continuar tentando seguir o caminho alheio e testar estratégias que não funcionam muito com meu estilo de vida, resolvi retomar minhas atividades no blog.
Pela ducentésima vez?
Sim.
Mas tiro uma lição para a vida inteira desse processo: não abandonar a escrita, pois ela me faz bem.
Sim, é só não se perder no processo, mesmo que ele se transforme, mude ou altere seu caminho.
Precisa ter a missão de me fazer bem.
E é assim que me sinto escrevendo, e pretendo continuar por um bom tempo.
Estou na jornada dos blogs há mais de vinte anos.
E, olhando para tudo isso, percebo toda a mudança e transformação que o cenário digital sofreu.
Mudanças de plataformas, regras novas, algoritmos, formatos de conteúdo e em quantidades absurdas.
Sem contar as pessoas que era possível acompanhar e que a internet simplesmente retira do nosso caminho e convívio sem ao menos avisar.
Mas, com tudo isso, eu também mudei.
Passei a aprender sobre ferramentas novas, revi muitos conceitos e abri caminhos diferentes.
Mas, com tudo isso, percebi algo interessante ao longo da jornada: eu sempre continuei escrevendo.
Porque, no fim das contas, eu não estava interessada em audiência de fato.
Obviamente, gostaria de ter gerado movimento com o blog, pessoas visitando e interagindo.
Seria minimamente satisfatório, inclusive, transformar o blog em um negócio lucrativo. Por que não?
Afinal, existe um pedaço de mim que admira e acredita na beleza de imaginar que algum texto despretensioso daqui possa encontrar alguém, e que essa pessoa possa desfrutar dele no momento certo.
Mas confesso que, hoje em dia, já não escrevo aguardando por um grande acontecimento.
Continuo porque simplesmente gosto.
Escrevo porque colocar pensamentos para fora da mente me ajuda a organizar a vida de uma forma geral.
E sei que, sabendo ou não, alguém vai acabar cruzando com as minhas palavras, podendo elas ser úteis de alguma forma.
Sinceramente?
Para mim, isso já é suficiente em certo nível. Bem mais do que imaginei lá atrás, resenhando produtos ou até mesmo fotografando plantas de forma amistosa para o Instagram.
Na realidade, não fui chamada para eventos da moda, tampouco para encontros glamourosos aos finais de semana.
Mas, no fundo, construí algo de grande valia para mim: um registro da minha passagem por este canto da internet.
E, enquanto tiver histórias, pontos de vista, opiniões, dúvidas, aprendizados e aleatoriedades para compartilhar, vou reconstruir este espaço quantas vezes forem necessárias.
Afinal, existem movimentos que não precisam se tornar um negócio milionário para ter valor.
Às vezes, é preciso apenas continuar existindo.
Mesmo que ninguém aprove.
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