Depois de belos tombos, esquecimentos de senhas e quedas de contas, finalmente a gente aprende.
Venho da era do disquete de 1,44 MB, quando alguns poucos megabytes já pareciam muito espaço. Ou até mesmo da época em que usava um gravador de CD regravável chamado “Burn-alguma-coisa”, que nem lembro mais.
Cabia tudo ali… fotos, documentos e nem em sonho se imaginaria tantos vídeos curtos ou longos em uma vida…
Garanto que já guardei muita mídia nesses quase trinta anos em frente a uma tela de computador.
E o que aprendi da pior maneira esses anos é basicamente isto: nada é para sempre, mesmo que esteja gravado no fundo de qualquer mídia da moda.
Pois todos os dias estamos suscetíveis a perder arquivos, imagens e sabe-se mais o quê em meio a tantas informações.
E quanto maior fica o nosso acervo digital, maior também fica a responsabilidade de cuidar de tudo.
Mas, para não enveredar por uma vibração ruim — ou dormir e acordar na tensão de quando pode ser que talvez eu perca alguma coisa — resolvi, organizar tudo.
Sim…
Enquanto todos estão torcendo pelo Brasil na Copa, cá estou eu revendo senhas, sites com logins vulneráveis e, principalmente, meus arquivos e conteúdos criados.
Já perdi mais de uma vez blogs hospedados em casas alugadas e posso afirmar: o despejo não foi nada bonito.
Mas o pior foi ficar sem os meus pertences. Que, aqui no caso, eram os meus textos e imagens.
Depois de perder arquivos, esquecer senhas, ver serviços desaparecerem e blogs sumirem da noite para o dia, cheguei a uma conclusão simples: não basta criar conteúdo. É preciso manter uma cópia bem guardada de tudo.
Foi aí que resolvi parar de adiar uma tarefa que vinha empurrando há anos: organizar minha vida digital.
Quando comecei essa faxina, percebi que o assunto era muito maior do que imaginava.
Uma coisa puxava outra. Senhas levavam a backups. Backups levavam a formatos de arquivo. Formatos de arquivo levavam à preservação de conteúdo e por aí vai…
Então resolvi transformar essa experiência — que não desejo para ninguém — em uma série de testes, ferramentas, macetes e formas de armazenar tudo de maneira minimamente segura, sem depender exclusivamente de big techs ou hospedagens de terceiros.
Ainda estou testando tudo com calma, então a série pode se estender por várias postagens.
Mas hoje quero falar do que acredito ser o alicerce de todo conteúdo online: a senha.
E, por mais estranho que pareça, a primeira etapa não envolve discos rígidos, servidores ou sistemas de backup.
Envolve acesso.
Porque não adianta guardar algo por décadas se você perde a chave para chegar até ele.
E hoje, na internet, essas chaves são as nossas senhas.
Quantas vezes por dia entramos e saímos de sites pela internet usando senhas para todos eles?
Se eu fosse parar e somar tudo isso, passaria alguns bons dias anotando e ainda faltaria muita coisa.
Então, para que tudo fique minimamente seguro e acessível, adotei um gerenciador de senhas.
Acredito que seja uma ferramenta importante para quem utiliza diversos sites diariamente e precisa de agilidade para efetuar logins e trabalhar.
Imagine precisar acessar mais de vinte sites por dia e lembrar de todas as senhas. Ou pior: usar a mesma senha para tudo.
É aí que entra o gerenciador de senhas.
Nele você pode cadastrar os sites mais utilizados e até gerar senhas fortes e diferentes para cada serviço.
Acredite em quem já teve conta invadida: ter senhas fortes e diferentes faz muita diferença na vida digital.
O que estou usando no momento é o Bitwarden, gratuito e disponível para Linux, Windows e Mac.
Por ser entusiasta de programas open source — softwares cujo código pode ser estudado, auditado e aprimorado pela comunidade — fico sempre satisfeita em divulgar serviços, programas e ferramentas acessíveis como o Bitwarden.
Não entrarei em detalhes sobre o programa em si, afinal existem vários gerenciadores de senha no mercado.
Alguns navegadores já possuem seus próprios sistemas para isso, mas confesso que não contaria apenas com eles.
A ideia desta postagem é apenas levantar a importância de manter senhas fortes, complexas e armazenadas de forma minimamente segura.
Pode apostar: vai dar trabalho entrar de site em site para analisar onde seu rastro anda espalhado pela internet.
Mas, além de trazer mais segurança e organização, esse processo também costuma trazer boas lembranças acompanhadas de belas risadas pelo caminho.
Hoje comecei pelas chaves da casa. Depois vamos falar sobre onde guardar os móveis.


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