Quando o meu blog desapareceu 

Quando um blog que você ama visitar, se vai…

Por muitos anos acompanhei o ‘Casa Chaucha’. Eu pirava nas composições de cores, improvisos de peças garimpadas, Plantas que saltavam para dentro de salas, quartos e cozinhas. Ali era um canto que gostava de voltar sempre que surgia um dia ruim aqui fora. Ali eu podia acalmar o coração e me sentir feliz me valendo da inspiração alheia.

E de repente, ele se foi. Digitei seu endereço na barra e outro caminho surgiu na minha frente; uma decisão da autora de tomar outro rumo com seu projeto talvez. Mas o que ficou foi um vazio, uma nostálgica sensação de perda que a internet costuma pregar em nós veteranos digitais. Um site que se transforma, um blog que deixa de ser alimentado… 

E com isso sempre me pergunto internamente: 

Quanto conteúdo deixamos de ter disponível todos os dias? Qual será o próximo site à nos abandonar? 

Projetos independentes, portais consagrados, blogs pessoais, artistas com suas demos, aprendizados, ensaios, referências… e tantos outros cantos digitais. 

Tá tudo ali, disponível como se nunca fosse sair do lugar. Dando até mesmo uma impressão de permanente, eterno talvez. Mas nessa sensação, vem a realidade: mudanças de plataformas, hospedagens, abandono de projetos e percebe-se que esta ‘permanência’ é mais frágil do que gostaria.

Talvez por isso sempre quis fazer parte deste universo através da escrita. Sempre dentro de um contexto de blog.  

Minhas tentativas de blogs no decorrer do anos…

Dentre todos os endereços que alimentei escrevendo até hoje, a ideia era uma só: construir um acervo de ideias, opiniões e pontos de vista.  

Pois tecnicamente, um artigo publicado hoje, pode ser encontrado daqui um bom tempo. Pode ser encontrado por alguém rondando pesquisas às 3:45 am, naquela insônia ingrata.

Ter aquele pequeno momento com um artigo totalmente fora de contexto e quem sabe arrancar um suspiro.

Um sorriso.

Ou até mesmo um xingamento, por que não?

Enquanto muito giram telas com dedos histéricos, querendo saber qual é a última fofoca do dia, os blogs ainda permitem o pensamento e reflexão sobre assuntos de forma mais longa, pausadamente, sabe?  

E diferente da ‘Casa Chaucha’ que transmutou seu projeto, cresceu para algo maior e nos deixou com uma nostalgia suavemente revoltante até…

No meu caso, perdi meu blog algumas vezes.

Perdi conteúdo de muitos anos escrevendo, sobre assuntos diversos, resenhas de produtos, sobre moda e que agora estão apenas guardados em alguma sinapse do meu cérebro. 

Mas cada página da internet que se transforma ou até mesmo desaparece,  leva da gente um momento, uma época.

E para cada uma que continua com suas atividades, mesmo que sendo como aquela última casa de uma rua sem saída que, recebe apenas poucos convidados, preserva pequenos fragmentos dos mesmos.

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